quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eterna alvorada

Ahh...Bela noite,
Olho para a janela e vejo a imensidão negra e ela combina com meu interior
Por que triste ironia, você sorri para mim?
Acha mesmo que eu não sou refém do meu medo?
Ohh...Acho que esta enganada...
Pois cada nova alvorada o crepúsculo chega mais cedo e o perco mais um dia

Ahh...Bela noite, 
Olho para o espelho e vejo um alguém que desconheço e ela combina com meu interior
Por que triste anseio você me deixa assim?
Acha mesmo que tal agonia é passageira?
Ohh...Acho que esta enganado...
Pois cada nova alvorada o crepúsculo chega mais cedo e o perco mais um dia

Ahh...Bela noite, ahh...Bela noite...
Sua solidão e escuridão me fazem confundir-me nas suas cores
Perdendo-me na perdição do meu profundo abismo
E acordada durmo numa esperança quase perdida
Sim, bela noite a deixarei por essa noite, mas quando o sol cair entre o mar e afogando o horizonte na negridão de suas cores a verei novamente e sim, deitando novamente em seu véu...
 Ate o tempo do sol me iluminar...
E o crepúsculo não chegar, para que em minha vida seja uma eterna alvorada
(Escrito por: Juliana Gomes)


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Rosa Negra(conto)
  -Mamãe, mamãe olhe para essa flor!- mostrou o menino a mãe. Ajoelhado no seu belo jardim perto de uma linda rosa vermelha.
   Gabriela a mulher em um lindo vestido verde que estava em pé do lado de seu filho o olhou com ternura ao ver sua grande admiração pelas rosas.
   Os Lemos viviam numa casa grade e vitoriana do seculo XVIII, herança do pai de Pedro seu marido, que avia morrido fazia doze anos, a idade de seu filho.
  -Pedro, querido. Você vai acabar se sujando de terra e dona Georgina ira brigar com você quando as manchas não saírem. Sem muita confiança o menino continuou brincando no jardim.

  Anos mais tarde...
  -Querido, venha! Precisamos receber os convidados. Desça Pedro!- gritou Gabriela, ordenando a seu filho.
  -Não me importo com essa festa!
  -Mas devia, menino malcriado! Eu trabalhei muito com os preparativos e você não fara tal desfeita comigo!
  Pedro desceu como um furacão raivoso. O menino completaria esta noite vinte e cinco anos, já era um homem. Estava a usar um terno negro como também sua gravata e blusa da mesma cor. Parecia refletir em seu comportamento a vestimenta. Ele se tornara uma pessoa rude e desconfiada depois de anos convivendo com omissões de sua mãe. Ele não admitira viver a herança de seu pai, como viver na casa, se relacionar com os mesmos amigos, manter os negócios de advocacia, dirigir o mesmo carro e outras coisas mais. Ele queria viver a vida dele, como todo ser humano normal.
  Já era meia- noite e o pessoal ia parti o bolo, todos deram os parabéns e cantaram para ele. Sua mãe o pediu que tocasse violino para que eles ouvissem, na verdade o violino e as suas escritas era sua paixão, nada alem disso. Tocou como pediu sua mãe, mas escolheu uma de suas canções mais fúnebres e sombrias. Todos amaram e a noite foi se desvaindo como tudo sempre, ate chegar a uma lembrança, como tudo na vida. Antes de se deitar alguém bateu na porta.
  -Entre!- sua mãe entrou pela porta segurando uma caixa de papelão parecendo ser velha.
  -O que é?- perguntou Pedro.
  -Seu presente.
  -Mas você já me deu meu presente, Gabriela. Adorei o relógio de bolso de ouro, por falar nisso. Obrigada.
  -Sim, mas esse não é meu. É de seu pai. Ele falou que quando você completasse vinte cinco anos estava na hora. -Pedro pegou a caixa que sua mãe estendia para ele e com isso a mulher saio de seu quarto.
  Dentro da caixa tia duas coisas, um rolo de papel e um pequeno livro em capa de coro. Abriu o rolo, e para sua surpresa eram notas de musica, fazendo uma canção. Estranhou tal presente. Sem entender foi ver o livro que na verdade era escrito a mão, numa caligrafia muito bonita.Começou a ler a primeira pagina...
  "Em uma manha de inverno onde o céu era cinza da cor de meu palito. Eu a vi. Era linda como uma das rosas de meu jardim. Ela caminhava pelo jardim como um cisne dançando nas águas, com seu belo vestido preto. Naquele dia eu avia acordado cedo demais, a alvorada ainda inundava o horizonte. Avia achado em um livro antigo notas de uma bela canção que comecei a tocar, ela se chamava rosa negra. Em meu piano toquei ela, uma canção triste e arrebatadora. Mas não sabia o que ouve, pois um cheiro inebriante inundou o ar e olhei para a janela, onde ela dançava com o brilho de uma estrela." Pedro parou de ler e curioso desceu as escadas para pegar seu violino, levando com sigo o rolo com as notas da canção, curioso. Do grande salão ele começou a tocar as notas da folha e delas saiam um mar de desolação. Ao mesmo tempo ele ficou encantado e angustiado. Como magica o vento começou a sopra forte lá fora e continuando tocando, olhou pela janela e se formando das rosas uma bailarina a dançar em seu jardim, deslumbrado ele ainda tocava ate que viu o rosto da mulher. Era linda. Aquilo poderia ser um sonho?-pensou ele.
  -Ela é linda, não é?- disse uma voz a suas costas. Era sua mãe.
  -Sim. Quem ela é?
  -É um dos espíritos da noite, se chama solidão.- disse Gabriela.
  -Por que esta no nosso jardim?
  -É uma de suas heranças. Seu avô a criou depois que sua avô morreu.
  -Mas por que ela não vai embora?- perguntou Pedro.
  -Porque nenhum dos Lemos conseguiu se desfazer de tal sentimento.
  -Não quero que ela vá! Ela é a coisa mais linda que já vi- disse ele.
  -Te dei o presente de seu pai porque ele mandou te dar quando fizesse vinte e cinco anos, foi a idade que morreu. Se eu não te desse ia acontecer o mesmo com você. E se você não a mandar embora também ira.
  -Mas se eu não soubesse da musica para chama-la, como ela viria?
  -Você iria construir outra em você. Liberte-nos disso. Seu pai não conseguiu, mas aposto em você filho.
  -E como faço isso?
  -Queime o jardim!
  -O que?Não farei isso.
  Lá fora a noite ia embora e os raios de sol faziam-se presente. O jardim começava a se pintar de vermelho, das cores de suas rosas. Pedro amava o jardim mais do que tudo ali. Não ia fazer tal barbaridade.
  -Se não fizer antes de completar vinte seis anos ira morrer.- Gabriela sumiu pela casa e Pedro continuava a fitar o jardim. Abriu o livro mais uma vez e dele caio uma rosa escurecida pelo tempo, uma rosa negra. A olhou e a pós no livro novamente.
  Era o meio do dia e tinha uma visita essa tarde. Era uma das pretendentes que sua mãe avia lhe feito o favor de obriga-lo a ver. Essa se chamava Felícia, segundo sua mãe era de uma família de grande posse, educada e bonita. Mas para ele nenhuma se comparava com sua rosa do jardim, solidão. No meio do dia um dos carros parou em sua porta, entediado nem mesmo olhou pela janela. Gabriela abriu a porta para as convidadas, uma mulher mais velha que devia ser a mãe da moça e uma mais nova, que devia ser a moça. Ela tinha cabelos pretos, uma pele pálida e olhos da cor do wisky, a menina não era feia.
  Gabriela e Anna, a mãe da menina Felícia, conversaram bastante. Mas a pobre coitada ficara muda como o próprio Pedro, ele só estará a pensar em Solidão. Foram embora e nenhuma troca de olhares foram feitas dos pretendentes.
  Na noite seguinte Pedro fora novamente tocar a velha musica para Solidão e ela apareceu para ele naquele dança feiticeira. Na outra noite e na noite seguinte e seguinte ele tocava para ela, e cada dia mais Gabriela ficara com medo da solidão de seu filho. Com isso saíra para visitar sua nova amiga Anna e contou tal problema. Disse que sabia que seu filho iria se entregar como seu marido e seu sogro, Felícia que escutara atrás da porta teve uma ideia. Ela como Pedro não queria se casar  também, mas não deixaria ele morrer. Então teve uma ideia. Pedi-o a Gabriela que pudesse dormir na sua casa aquela noite, e com a confirmação da mulher ela botou seu plano em pratica.
  Gabriela disse que Pedro tocava toda noite as duas horas da manha e olhando para a janela. Felícia então pegou uma de suas composições e de fininho entrou no quarto de Pedro e enquanto ele estava dormindo ela  trocou uma pela outra, guardando a canção de Solidão com sigo. Colocou o despertador as uma e meia para despertar a se deitou. Quando o despertador tocou ela se levantou e colocou um vestido negro e soltou seus cabelos, indo de esconder na calada da noite, lá fora.
  Pedro acordou como sempre as duas e como de costume foi para frente da janela tocar sua musica. A musica estava diferente, ele percebeu. Mas logo quando ele ia parar de tocar ela apareceu dançando. Era linda e o enfeitiçado como sempre.
  Na manha seguinte Felícia contara seu plano para Gabriela que por sinal adorou e a pedia que ficasse mais essa noite. A menina o fez e começou a fazer todas as noites como o esperado.
  Pedro dormia quando escutou paços do lado de fora no corredor, olhou para o relógio e não era nem duas horas, como ele sempre acordava. Curioso se levantou e olhou pelo corredor escuro, ninguém. Ate que viu um vulto entrar por uma das portas da biblioteca superior. O seguiu e lá viu a menina Felícia, ela abria um baú pesado e dele tirou um pano negro. Com cuidado a menina o estendeu num sofá que tinha ali perto e fechou o baú novamente. Estranho-pensava Pedro. Mas não foi só ate ela começar a tirar a roupa que ele se assustou. Mas de uma certa forma não conseguia sair dali, estava enfeitiçado por ela. Sua pele alva e macia o chamava, querendo deslizar suas mãos por tal corpo. Queria cheirar tal perfume de seu corpo e entrelaçar os dedos em seus cabelos. Como esse tempo todo não tinha reparado em tal vida, ele agora também se sentia vivo. Ela era tão radiante como qualquer manha, tão bela como a mais linda das rosas. Ele a queria, ele a precisava. Só se deu conta de quanto tempo a ficou olhando quando ela acabou de se vesti e caminhou ate a porta, onde ele estava. Correu para o corredor escuro e se escondeu nas sombras. Ela descia as escadas, com passos lentos e leves ele seguiu ela. Ela caminhava em direção a porta para a rua, ele a viu sair de dentro da casa e ficar escondida perto do jardim de rosas. Pedro só fora entender quando viu o grande relógio dar duas horas da manha. Agora entendia a musica diferente, a falta do brilho da bailarina, mas estranhamente não ficou bravo. Ainda tinha o mesmo encanto para ele, só que melhor porque agora sabia que tal mulher existia, e ia ser dele. Começou a tocar a nova musica e ela apareceu entre as rosas e começou a dançar. Felícia dançava com tal entrega e perfeição que Pedro não podia deixar de não chegar mais perto. Continuou tocando e saio lá fora, ela ainda dançava, mas ele podia ver que seu rosto se contraia de preocupação, ele ficou com vontade de rir, mas se conteve. A cada passo chegava mais perto ate que chegou a sua frente. Ele ainda dançou para ele mais. Só parando quando ele largou o instrumento e a puxou pelo pulso para a caverna de seus braços e a beijou. Fogo corria por aquele jardim envolta deles, mas não um fogo concreto como dona Gabriela queria, mas um fogo interior, de entrega e perdição. Se amaram como dois amantes aquela noite e Pedro fez de Felícia sua escolhida entre todas as rosas.
  Um dia enquanto caminhava pelo jardim com sua filhinha Alice em seus braços, Pedro percebeu uma coisa, ele nunca mais tinha olhado o livro e nem as notas da musica de solidão, mas não importava, tal sentimento era uma pequena lembrança a ele.
  Mas Gabriela sim, avia olhado e no livro como nas notas, tudo avia sumido. Deixando apenas paginas embrancas para outro escrever.
  -Pedro, tire Alice dai! Ela vai se sujar toda nessa terra do jardim de rosas.- disse Felícia a Pedro que olhava a filha divertido.
  -Não amor, deixe-a brincar. Que tal nos fazermos o mesmo.- disse ele agarrando Felícia pelas costas, num abraço arrebatador a virando e a beijando.
  -No jardim?
  -Não, meu bem. Pensei numa brincadeira mais divertida. Venha, vou te mostrar como ela é, lá no nosso quarto.- ela riu e deu a mão ele. Deixando Alice com Gabriela a olhar.
 (Feito por: Juliana Gomes)