quinta-feira, 14 de março de 2013

O retorno de Peter Pan ( parte 3)


  O Retorno de Peter Pan( 3 parte)

 

  Os olhos da menina abriram de repente, ainda era noite lá fora, e isso a incomodava. De certa forma sentia uma certa invasão, como se uma presença tivesse naquele quarto. Assustada levantou da cama e seus olhos foram parar na carta de “Peter Pan”, e começou a tremer, ela podia senti alguém a observar. Olhou pela janela e lá fora o céu ainda negro com uma linda lua cheia a iluminar, como num filme de terror- pensou.

   -Oh, Anita. Pare de pensar besteira.- disse a si mesmo balançando a cabeça para espantar os pensamentos medrosos. Olhou para seu pijama listrado de preto e branco, colado no corpo pelo suor.

  -Droga, como eu sou idiota! Não tem ninguém no meu quarto...- disse. Nisso um potinho de porcelana caio de sua prateleira. Correu para sua porta tentando abrir e sai do quarto, mais antes disso um brilho cintilou em sua frente; mas nem chegou a ver o que era, pois saio em disparada para o quarto dos seu irmão. Seu coração acelerado, batia como um tambo. Deitou perto de seu irmão mais novo e o abraçou, ele acordou ainda sonolento a olhou e retribuiu o abraço, acabando os dois dormindo juntos.

  -Anita!? Anita!?- era a voz de sua mãe, abriu os olhos e viu a própria.

  -Sim?- disse sonolenta.

  -Dormiu aqui essa noite?

  -Sim, dormi.- sua mãe riu, acabando acordando seu irmão.

  -Estava com medo?- continuou rindo.

  -Não, mãe. É que... Que...- levantou tentando ainda achar uma desculpa, mas quem a salvou foi seu irmão.

  -Não, mãe. É que eu pedi a Nita para dormi aqui comigo.- sua mãe riu passando a mão na cabeça do garoto e dando um beijo, quando avisou para Anita se levantar e se arrumar que já estava atrasada. E foi o que a menina fez.

  Na escola Anita não conseguia pensar em outra coisa, sua mente sempre voava para a noite passada e aquele brilho. Mas porque será que aquela carta avia perturbando-a tanto? Tudo bem que parecia muito real, mas não era. Ela tinha certeza. Provavelmente foi uma pessoa querendo pregar uma peça em alguém, ou fora um sonhador que colocara aquela carta dentro do livro, querendo que uma pessoa a encontrasse e que sonhasse que aquilo poderia ser algo real. –pensava ela.

  -Nita?Nita!?- chamava Ellie.

  -Sim?

  -O que ouve? Você esta muito distraída hoje.

  -Não é nada, só estou preocupada com a prova de hoje de Arte.- mentiu para a amiga, achando uma desculpa.

  -Mas você foi sempre muito boa nessa matéria. O que esta avendo, eu a conheço.

  -Ta bem, depois da aula te conto.

  Mas depois da aula pareceu que Ellie se distraio com algumas coisas e esqueceu do prometido da amiga. Naquele dia Anita avia feito uma péssima prova de Artes. Ela só ficava pensando em voltar para casa, para aquele quarto. Meu deus Anita, quando é que ficou tão medrosa?-se perguntou ela mesmo.Irritada, voltou para casa.

  A noite não tardou a chegar e o medo veio como uma cascata se apossar da menina roqueira. Ela parecia ser tão intimidante e imperturbável para o pessoal da escola, a menina de preto introvertida e muito maquiada era sempre excluída pelos outros alunos “normais”. Quem era a única que considerava sua amiga era Ellie, apesar de ser seu oposto as duas se davam muito bem. As outras simplesmente a toleravam. Ela não se reconhecia como ela mesmo agora, tremendo de medo de seu quarto.
  Estava no banheiro, avia acabado de tomar banho e se olhava no espelho, o delineador escorrendo pelos olhos da cor da pedra de ônix, bem escuros, seus cabelos preto com mechas azuis estava molhado pelo vapor quente, lisos e longos, seu rosto não demonstrava o terror, sempre fora assim, ela nunca fora muito transparente, ninguém nunca sabia o que ela estava pensando ou mesmo tentava decifrar. Parecia uma mascara que ela colocava para afastar as pessoas, ou para se afastar dos outros. Talvez ela sempre tivesse medo, medo do mundo e de descobri a verdade. Quer verdade?- se perguntou, mas talvez isso fosse exatamente o que ela temia. Ela gostava de viver em seu mundinho, na sua ignorância de ilusões. Talvez ela só quisesse ser como Peter Pan, escolher viver com as fantasias e imaginação, num mundo totalmente imune ao concreto, ao real. Nada mais de ganância, dinheiro, não onde os homens se tornavam animais cegos e deficientes por cobiça e superioridade, ou qualquer coisa que tivesse de competi. Queria ser livre como uma criança, onde obrigações, medo e dinheiro não as afetam. Mas em pleno século vinte um, isso não era mais verdade, as crianças se transformavam em pequenos adultos e isso a assustava. Tomando coragem ela foi para seu quarto, colocou o pijama e sem nem pensar adormeceu.

  Com um vento frio Anita acordou. Assustada ouviu um barulho diferente como uma canção sombria, seu coração acelerou e o medo a assaltou de novo. Se envolveu com a coberta, colocando a cabeça para dentro, imaginando que aquele momento por um milagre desaparecesse. Mas não. E de súbito um barulho forte começou. Ela tremia como vara verde. Ficou debaixo da coberto com um enorme frio ate que tomou coragem e espiou entre as cobertas para fora e percebeu que aquela musica sombria era o vento, que entrava pela sua janela aberta, e o barulho alto era a própria batendo, por isso que estava sentindo um frio enorme. Aliviada levantou e foi fechar a janela, quando o jarro de flores que estava em sua escrivaninha se iluminou, como se alguém houvesse acendido uma lâmpada dentro dele. A menina gritou como nunca, e correu de seu quarto. Sua mãe e pai saíram de seus quartos nervosos e preocupados, para ver o que fora tal alarde, quando encontrou sua filha mais velha no corredor tremendo.

  -O que ouve filha?- os pais perguntara e ela os contou do jarro e da janela, mas quando eles aviam ido checar, o jarro estava como sempre e a janela fechada. Mas mesmo assim ela se recusava a dormi ali. Então sua mãe arrumou para ela uma cama no quarto de seu irmão, onde ela dormiu muito mau. Mas não por que a cama estava desconfortável, mas porque ela tinha impressão do quer que fosse ainda estava ali.

  Amanheceu e foi para a escola. Hoje ela nem mesmo se arrumou, colocando a primeira roupa que viu no armário, uma calça jeans, uma blusa preta e sua jaqueta de coro; não querendo permanecer mais do que o necessário no seu quarto. Avia posto o delineador no ônibus e por isso estava horrível. Antes de sair de casa, sua mãe avia lhe dito para convidar uma de suas amigas para dormi na sua casa. Anita sabia que aquela escolha avia sido feita porque sua mãe esta preocupada com ela, e ela não a culpava, avia agido muito estranhamente esses dias.

  -Ah, ai estava você, né?- disse Ellie a encontrando nos portões da escola.- Hoje você não me escapa. Você esta agindo muito estranhamente e vai me dizer o que esta acontecendo.

  -Tudo bem, mas... Olha, você vai achar que sou maluca. – então Anita contou. Contou da carta, das noites que acordou no meio dela, do brilho, do jarro de flor, da janela.

  -Ah Anita, é por isso? Isso é besteira. Você já olhou dentro do jarro, não tem nenhuma luzinha lá?- Anita negou com a cabeça. Ela avia feito isso no dia seguinte, checado o jarro dentro apesar do medo e não avia nada lá.- Provavelmente foi o reflexo de alguma coisa. E a brilho, olha, pode ter vários motivos. E o mesmo digo da carta. Você realmente não acha que é do Peter Pan para a Wendy, não é? Tanta gente pode ter feito isso por diversos motivos.

  -Sei. Mas é só que depois que li essa carta eu sinto essa presença de algo ou de alguém. Sei que é meio louco e por isso não queria te contar mas...

  -Olha Anita, o provável é que você alimente uma fantasia por esse conto de fadas e ache fascinante e....

  -Não, ta?! Eu sempre achei essa historia um saco e mentirosa. Sem chance. Eu ate mesmo implicava com minha mãe lendo essa historia para meu irmãozinho.

  -Ta tudo bem, vamos deixar isso para lá por enquanto.- as duas concordaram e foram para as aulas. No final da aula Anite fez o convite a Ellie e ela aceitou na hora, dizendo que ia em casa busca as roupas e estaria na casa dela em uma hora.

  Ellie chegou exatamente na hora combinada, com sua mala na mão e o guarda chuva na outra, estava nevando.

  -O que é Ellie, veio morar comigo?

  As duas entraram para se proteger do frio.

  -Vem.- disse Anita puxando a mão de Ellie a levando a sala.- Preparei uma seção de filme na sala. Será eu, você e meu maninho.- Ellie viu um menino moreninho sentado no sofá da sala ansioso para o filme começar. Ela riu, sempre achando o irmão de Anita um fofo.

  -Espero que não se importe de ver Procurando Nemo, Ellie. O moleque só sabe querer ver esse filme, é a centésima vez e ele não perde esse animo.- Ellie riu. Sabia como era as crianças e suas manias.- Ele já sabe todas as falas desse filme e conseqüência eu também.

  -Não tem importância, eu adoro desenho.

  -Venha Ellie, me ajude a busca as guloseimas.- ele foi atrás de Anita para a cozinha. Buscaram os biscoitos, as pipocas, os chocolates e amendoins, sem contar as bebidas. Eles estavam cheio de cobertores e mantas espalhados pela sala. Confortável eles ficaram ali vendo filme.

  -Qual será o próximo filme?- perguntou ele.

  -Transformes! Transformes!?- o menino gritou animado.

  -Ah meu deus, que moleque chato. Não, dessa vez vamos ver um filme que queremos. Veremos Orgulho e Preconceito. –disse Anita.

  -Ah não!- o garoto reclamou.

  -Sim, sim. É a nossa vez.

  Colocaram o outro filme depois que o primeiro terminou e Gu com raiva pegou seus bonecos e ficou brincando num canto da sala.

  -Cadê seus pais, Anita?- perguntou Elle.

  -Saíram. Foram numa convenção para a apresentação do chefe do papai.

  -Ah...

Quando já estava de noite as meninas cansaram de ver filmes e começaram a conversa, falando sobre tudo, escola, notas da escola, garotos da escola, beleza e etc. Gu já estava cansado e dormia no sofá. Então depois de um tempo veio a tona a conversa da carta. Ellie adorando todo aquele mistério e suspense disse que queria subir no quarto de Anita, de inicio a menina não queria muito, mas Ellie sabia ser bem persuasiva quando queria. Subiram as escadas, andaram todo o corredor ate a porta da seu quarto. Anita tremia e Ellie pareceu pegar os sentimentos da outra, ficando também amedrontada. Colocaram a mão na maçaneta e giraram. Ate que a porta se abriu dando para um quarto escuro e frio. Anita passou na frente mesmo nervosa se posicionando de frente para a janela, e olhava para fora, onde a neve caia tranqüila e calma. Com o passar do tempo as duas se acalmaram e acabaram sentando no diva da janela e ficaram vendo a rua conversando.

 

  Mal as duas sabiam que alguém as observava. Era a terceira noite que estava ali, e mesmo assim sabia que a menina que era dona do quarto, sabia de sua presença. Ficara a observando todo esse tempo, pensando em encontrar outra pessoa, mas não era essa menina que precisava encontrar, e no entanto era onde o cheiro a levou. Tudo nessa cidade avia mudado, inclusive as pessoas. Avia tentado se comunicar com a garota, mas o medo que sentiu vir dela a impede. Não sabia se ela podia ajudar, mas era sua única chance. Fazia anos que esperou por esse dia e nunca chegou, e agora era essa outra garota? Ela estava escondida em um baú, em uma das estantes, o único lugar onde ela poderia ver todo quarto, voltando todas as noites esperando a oportunidade de falar com a pessoa que possuía a carta. Agora a menina e a amiga dela estavam sentada perto da janela, olhando para fora, não ia conseguir se comunicar mais uma noite.- suspirou. Mas quanto tempo isso ia durar?- pensava sininho.