O Retorno de Peter Pan( 3 parte)
Os olhos da menina
abriram de repente, ainda era noite lá fora, e isso a incomodava. De certa forma
sentia uma certa invasão, como se uma presença tivesse naquele quarto.
Assustada levantou da cama e seus olhos foram parar na carta de “Peter Pan”, e
começou a tremer, ela podia senti alguém a observar. Olhou pela janela e lá
fora o céu ainda negro com uma linda lua cheia a iluminar, como num filme de
terror- pensou.
-Oh, Anita. Pare de
pensar besteira.- disse a si mesmo balançando a cabeça para espantar os
pensamentos medrosos. Olhou para seu pijama listrado de preto e branco, colado no
corpo pelo suor.
-Droga, como eu sou
idiota! Não tem ninguém no meu quarto...- disse. Nisso um potinho de porcelana caio de
sua prateleira. Correu para sua porta tentando abrir e sai do quarto, mais
antes disso um brilho cintilou em sua frente; mas nem chegou a ver o que era,
pois saio em disparada para o quarto dos seu irmão. Seu coração acelerado, batia
como um tambo. Deitou perto de seu irmão mais novo e o abraçou, ele acordou
ainda sonolento a olhou e retribuiu o abraço, acabando os dois dormindo juntos.
-Anita!? Anita!?-
era a voz de sua mãe, abriu os olhos e viu a própria.
-Sim?- disse
sonolenta.
-Dormiu aqui essa
noite?
-Sim, dormi.- sua
mãe riu, acabando acordando seu irmão.
-Estava com medo?-
continuou rindo.
-Não, mãe. É que...
Que...- levantou tentando ainda achar uma desculpa, mas quem a salvou foi seu
irmão.
-Não, mãe. É que eu
pedi a Nita para dormi aqui comigo.- sua mãe riu passando a mão na cabeça do
garoto e dando um beijo, quando avisou para Anita se levantar e se arrumar que
já estava atrasada. E foi o que a menina fez.
Na escola Anita não
conseguia pensar em outra coisa, sua mente sempre voava para a noite passada e
aquele brilho. Mas porque será que aquela carta avia perturbando-a tanto? Tudo bem
que parecia muito real, mas não era. Ela tinha certeza. Provavelmente foi uma
pessoa querendo pregar uma peça em alguém, ou fora um sonhador que colocara
aquela carta dentro do livro, querendo que uma pessoa a encontrasse e que sonhasse que aquilo poderia ser algo real. –pensava ela.
-Nita?Nita!?-
chamava Ellie.
-Sim?
-O que ouve? Você
esta muito distraída hoje.
-Não é nada, só
estou preocupada com a prova de hoje de Arte.- mentiu para a amiga, achando uma
desculpa.
-Mas você foi sempre
muito boa nessa matéria. O que esta avendo, eu a conheço.
-Ta bem, depois da
aula te conto.
Mas depois da aula
pareceu que Ellie se distraio com algumas coisas e esqueceu do prometido da
amiga. Naquele dia Anita avia feito uma péssima prova de Artes. Ela só ficava
pensando em voltar para casa, para aquele quarto. Meu deus Anita, quando é que
ficou tão medrosa?-se perguntou ela mesmo.Irritada, voltou para casa.
A noite não tardou a
chegar e o medo veio como uma cascata se apossar da menina roqueira. Ela
parecia ser tão intimidante e imperturbável para o pessoal da escola, a menina
de preto introvertida e muito maquiada era sempre excluída pelos outros alunos
“normais”. Quem era a única que considerava sua amiga era Ellie, apesar de ser
seu oposto as duas se davam muito bem. As outras simplesmente a toleravam. Ela
não se reconhecia como ela mesmo agora, tremendo de medo de seu quarto.
Estava
no banheiro, avia acabado de tomar banho e se olhava no espelho, o delineador
escorrendo pelos olhos da cor da pedra de ônix, bem escuros, seus cabelos preto
com mechas azuis estava molhado pelo vapor quente, lisos e longos, seu rosto
não demonstrava o terror, sempre fora assim, ela nunca fora muito transparente,
ninguém nunca sabia o que ela estava pensando ou mesmo tentava decifrar. Parecia
uma mascara que ela colocava para afastar as pessoas, ou para se afastar dos
outros. Talvez ela sempre tivesse medo, medo do mundo e de descobri a verdade.
Quer verdade?- se perguntou, mas talvez isso fosse exatamente o que ela temia.
Ela gostava de viver em seu mundinho, na sua ignorância de ilusões. Talvez ela
só quisesse ser como Peter Pan, escolher viver com as fantasias e imaginação,
num mundo totalmente imune ao concreto, ao real. Nada mais de ganância,
dinheiro, não onde os homens se tornavam animais cegos e deficientes por cobiça
e superioridade, ou qualquer coisa que tivesse de competi. Queria ser livre como
uma criança, onde obrigações, medo e dinheiro não as afetam. Mas em pleno
século vinte um, isso não era mais verdade, as crianças se transformavam em
pequenos adultos e isso a assustava. Tomando coragem ela foi para seu quarto,
colocou o pijama e sem nem pensar adormeceu.
Com um vento frio
Anita acordou. Assustada ouviu um barulho diferente como uma canção sombria,
seu coração acelerou e o medo a assaltou de novo. Se envolveu com a coberta,
colocando a cabeça para dentro, imaginando que aquele momento por um milagre
desaparecesse. Mas não. E de súbito um barulho forte começou. Ela tremia como
vara verde. Ficou debaixo da coberto com um enorme frio ate que tomou coragem e
espiou entre as cobertas para fora e percebeu que aquela musica sombria era o
vento, que entrava pela sua janela aberta, e o barulho alto era a própria
batendo, por isso que estava sentindo um frio enorme. Aliviada levantou e foi
fechar a janela, quando o jarro de flores que estava em sua escrivaninha se
iluminou, como se alguém houvesse acendido uma lâmpada dentro dele. A menina
gritou como nunca, e correu de seu quarto. Sua mãe e pai saíram de seus quartos
nervosos e preocupados, para ver o que fora tal alarde, quando encontrou sua
filha mais velha no corredor tremendo.
-O que ouve filha?-
os pais perguntara e ela os contou do jarro e da janela, mas quando eles aviam
ido checar, o jarro estava como sempre e a janela fechada. Mas mesmo assim ela
se recusava a dormi ali. Então sua mãe arrumou para ela uma cama no quarto de
seu irmão, onde ela dormiu muito mau. Mas não por que a cama estava
desconfortável, mas porque ela tinha impressão do quer que fosse ainda
estava ali.
Amanheceu e foi para
a escola. Hoje ela nem mesmo se arrumou, colocando a primeira roupa que viu no
armário, uma calça jeans, uma blusa preta e sua jaqueta de coro; não querendo
permanecer mais do que o necessário no seu quarto. Avia posto o delineador no
ônibus e por isso estava horrível. Antes de sair de casa, sua mãe avia lhe dito
para convidar uma de suas amigas para dormi na sua casa. Anita sabia que aquela
escolha avia sido feita porque sua mãe esta preocupada com ela, e ela não a
culpava, avia agido muito estranhamente esses dias.
-Ah, ai estava você,
né?- disse Ellie a encontrando nos portões da escola.- Hoje você não me escapa.
Você esta agindo muito estranhamente e vai me dizer o que esta acontecendo.
-Tudo bem, mas...
Olha, você vai achar que sou maluca. – então Anita contou. Contou da carta, das
noites que acordou no meio dela, do brilho, do jarro de flor, da janela.
-Ah Anita, é por
isso? Isso é besteira. Você já olhou dentro do jarro, não tem nenhuma luzinha
lá?- Anita negou com a cabeça. Ela avia feito isso no dia seguinte, checado o
jarro dentro apesar do medo e não avia nada lá.- Provavelmente foi o reflexo de
alguma coisa. E a brilho, olha, pode ter vários motivos. E o mesmo digo da
carta. Você realmente não acha que é do Peter Pan para a Wendy, não é? Tanta
gente pode ter feito isso por diversos motivos.
-Sei. Mas é só que
depois que li essa carta eu sinto essa presença de algo ou de alguém. Sei que é
meio louco e por isso não queria te contar mas...
-Olha Anita, o
provável é que você alimente uma fantasia por esse conto de fadas e ache
fascinante e....
-Não, ta?! Eu sempre
achei essa historia um saco e mentirosa. Sem chance. Eu ate mesmo implicava com
minha mãe lendo essa historia para meu irmãozinho.
-Ta tudo bem, vamos
deixar isso para lá por enquanto.- as duas concordaram e foram para as aulas.
No final da aula Anite fez o convite a Ellie e ela aceitou na hora, dizendo que
ia em casa busca as roupas e estaria na casa dela em uma hora.
Ellie chegou
exatamente na hora combinada, com sua mala na mão e o guarda chuva na outra,
estava nevando.
-O que é Ellie, veio
morar comigo?
As duas entraram
para se proteger do frio.
-Vem.- disse Anita
puxando a mão de Ellie a levando a sala.- Preparei uma seção de filme na sala.
Será eu, você e meu maninho.- Ellie viu um menino moreninho sentado no sofá da
sala ansioso para o filme começar. Ela riu, sempre achando o irmão de Anita um
fofo.
-Espero que não se
importe de ver Procurando Nemo, Ellie. O moleque só sabe querer ver esse filme,
é a centésima vez e ele não perde esse animo.- Ellie riu. Sabia como era as
crianças e suas manias.- Ele já sabe todas as falas desse filme e conseqüência
eu também.
-Não tem
importância, eu adoro desenho.
-Venha Ellie, me
ajude a busca as guloseimas.- ele foi atrás de Anita para a cozinha. Buscaram
os biscoitos, as pipocas, os chocolates e amendoins, sem contar as bebidas.
Eles estavam cheio de cobertores e mantas espalhados pela sala. Confortável
eles ficaram ali vendo filme.
-Qual será o próximo
filme?- perguntou ele.
-Transformes!
Transformes!?- o menino gritou animado.
-Ah meu deus, que
moleque chato. Não, dessa vez vamos ver um filme que queremos. Veremos Orgulho
e Preconceito. –disse Anita.
-Ah não!- o garoto
reclamou.
-Sim, sim. É a nossa
vez.
Colocaram o outro
filme depois que o primeiro terminou e Gu com raiva pegou seus bonecos e ficou
brincando num canto da sala.
-Cadê seus pais,
Anita?- perguntou Elle.
-Saíram. Foram numa
convenção para a apresentação do chefe do papai.
-Ah...
Quando já estava de noite as meninas cansaram de ver filmes
e começaram a conversa, falando sobre tudo, escola, notas da escola, garotos da
escola, beleza e etc. Gu já estava cansado e dormia no sofá. Então depois de um
tempo veio a tona a conversa da carta. Ellie adorando todo aquele mistério e
suspense disse que queria subir no quarto de Anita, de inicio a menina não
queria muito, mas Ellie sabia ser bem persuasiva quando queria. Subiram as
escadas, andaram todo o corredor ate a porta da seu quarto. Anita tremia e
Ellie pareceu pegar os sentimentos da outra, ficando também amedrontada.
Colocaram a mão na maçaneta e giraram. Ate que a porta se abriu dando para um
quarto escuro e frio. Anita passou na frente mesmo nervosa se posicionando de
frente para a janela, e olhava para fora, onde a neve caia tranqüila e calma. Com
o passar do tempo as duas se acalmaram e acabaram sentando no diva da janela e
ficaram vendo a rua conversando.
Mal as duas sabiam
que alguém as observava. Era a terceira noite que estava ali, e mesmo assim
sabia que a menina que era dona do quarto, sabia de sua presença. Ficara a
observando todo esse tempo, pensando em encontrar outra pessoa, mas não era essa
menina que precisava encontrar, e no entanto era onde o cheiro a levou. Tudo
nessa cidade avia mudado, inclusive as pessoas. Avia tentado se comunicar com a
garota, mas o medo que sentiu vir dela a impede. Não sabia se ela podia ajudar,
mas era sua única chance. Fazia anos que esperou por esse dia e nunca chegou, e
agora era essa outra garota? Ela estava escondida em um baú, em uma das
estantes, o único lugar onde ela poderia ver todo quarto, voltando todas as
noites esperando a oportunidade de falar com a pessoa que possuía a carta.
Agora a menina e a amiga dela estavam sentada perto da janela, olhando para
fora, não ia conseguir se comunicar mais uma noite.- suspirou. Mas quanto tempo
isso ia durar?- pensava sininho.