sábado, 29 de novembro de 2014

Pequenos deuses

Machando, machando...
Estamos machando nas curvas do tempo.
O grande passado, quase afogado nas águas nebulosas.
Esquecemos,  esquecemos do nosso passado. O coração de fogo se apagou.
As ruas foram pintadas de vermelho, o cheiro da pureza se extinguiu. Cavalos do rei caminham ainda por nos, eles ainda temem por nos, ohh sim, eles temem.
Filhos ingratos, usurpam as escritas sagradas, zomba do rei.
O sim, sinto o vento mudar, frio chama uma epoca cinzenta, seduziram nós com aquilo que chamamos de riqueza. Eles prometeram meu trono.
Machando, machando...
Estamos machando pelas curvas do tempo.
Sinto o relógio bater meia- noite, sinto que o tempo esta se esgotando, poucos minutos nos separa do fim. Precisamos correr.
O carasco de bronze carrega porções para nos alimentar de ilusões, ele quer nos comprar. ..
Ele quer comprar nossa eternidade, ele quer nos coquistar, nos oferecendo um trono.
Sim, somos pequenos reis, pequenos rei de nossa ilusão.  A prata e o ouro é nossa visita, enquanto vendemos nossa eternidade ao carrasco de bronze. Ele contente esta, estamos em fila. Marchando na ilusão, marchando cegos por sua sedução, se sentindo pequenos deuses, alimentando nos pelo presente e vendendo nosso futuro, corrompendo nosso laço com nosso verdadeiro rei.
Mas ele ainda caminha por aqui, sim, ainda posso senti-lo. Ele ainda caminha por aqui, mas não sei por quanto tempo...

sábado, 28 de junho de 2014

Conto Rubro



          Noite:

Oh Inverno! Todo brilho negro invade o jardim de rosas adormecidas, como tudo nesse breu. E com o vento frio a escuridão afugenta a vida, como todo sempre.

         Canta a velha noite para sua solidão. Como um deserto negro pintava todo o horizonte, desejando a vida do dia. Tão claro e rodeado de todo brilho, saldando o belo sol. Faz- se presente seu dourado, invejado por todos os deuses.
        
         Ah... Dia! Como és encantado! Tingindo o céu com seu brilho pálido.
         Invejo-o com toda a minha escuridão.
         Invejo-o com o mais belo dos crepúsculos.
         Invejo-o com todo o meu ser, invejo-o.

         Minha lua não é tão majestosa para seu sol. Oh...Raios! Deixe-me reinar pelo menos um pequeno momento!

         Dia:
         -Oh...Verão! Sou todo um pálido sopro a um cenário concreto. Tão simples iluminação a magnitude da misteriosa noite. Enfeitiçando-me com tua mística escuridão, escondendo nela as imperfeições como um segredo do belo.

         Canta o imponente dia, com sua rude imensidão. Farto de sua solidão apesar de todas as cores e vidas que andam pelo seu clarão.

         -Mas eu vos dou todo o meu amor grade Dia. Não precisa ter inveja da Noite, tal cólera vestida de negro- disse o Sol ao Dia, sua escrava e amante.

         -Não conte a ninguém que pronunciei tal coisa. Ninguém poderá saber que invejo minha rival, a Noite.- disse o Dia.

         -Sabe que não direi a ninguém, meu senhor.- e assim o sol se retirou com seu vestido dourado iluminando todo aposento de seu senhor, o dia.
         Dia ficou sentado em sua poltrona olhando o seu tempo acabando, para que a Noite assumisse tudo com a suas cores. O crepúsculo se aproximava e era a hora em que se saldavam para ela tomar tudo, como sempre. Hoje Tempo deixando o dia quente, como ele avia amanhecido de bom humor tudo estava barulhento e verão. Mas Dia não estava com todo esse bom humor de Tempo, avia falado com Primavera e ela avia lhe dito que Inverno e Noite proclamaram que eram amantes. Claro que ele tinha varias amantes, como o Sol, a Primavera e ate mesmo a Lua. Mas Noite, não. Ela era tão calada e distante como o vazio.
         -Senhor?-chamou Verão, o distraindo de seus devaneios.
         -Sim?
-Ouve um problema com as turbinas do vento.
-Por que estas a me incomodar com isso, faça o que precisar para concertá-las antes do anoitecer.- falou o Dia com toda sua arrogância.
-Não é só isso. Noite esta furiosa com tal descuido, e esses a acorda mais cedo do que o normal. Ela o espera para o crepúsculo.
-Não! Não vou começar a Noite antes de sua hora. Estas ainda muito cedo para me recolher.
-Fale com ela então meu Senhor, pos ela te espera no eixo das cores.
-Mas que espere!-

Deixando a Noite plantada a espera do Dia, não passara menos de duas horas quando Dia caminhava em sua direção. Ele tinha cabelos longos e dourados como raios de sol, seus olhos amarelos como o verão e uma pele clara como as nuvens em tempo de primavera. Era lindo, com todo seu andar imponente e arrogante, seu rosto era feito pela própria beleza. Como podia a ver tal ser?- pensava Noite.

O Dia viu a mulher de vestes negras a te esperar, a iluminação que irradiava dela tão sombria e diferente de si. Ela era toda escuridão como ele o clarão, ela era toda inquietação como ele a razão, ela era seu oposto. Seus olhos negros o fitavam, seus cabelos negros caiam como uma cascata e sua pele tão pálida como a lua, tudo nela o intimida. Seu rosto feito pela própria perdição. O coração de Dia começou a disparar e suas mãos úmidas e seu comportamento impaciente nos últimos dias, ansioso para o encontro com Noite. Isso o preocupava. Porque tal mudança ou pensar neste ser que tanto entrava em discórdia? - pensou ele.
        
         -Acha mesmo que sou sua escrava? Não tenho que ficar a te esperar como um cavaleiro espera sua dama.- disse Noite nervosa.  
-Nosso horários devem ser cumpridos. Não vou te dar vantagens quanto a isso.
-Fala o próprio cumpridor de regras. O que fez com a turbina do ar? Espero que tudo já esteja em ordem, não tolerarei um descuido seu.
-Já esta em ordem, mas não por sua causa.
Quando os dois se juntavam era como uma explosão, com todo sentido da palavra. Os dois não se davam muito bem e quando o Dia e a Noite se encontravam iniciava o crepúsculo. As cores da Noite se chocavam com as cores do Dia formando o fim do dia e o inicio da noite. Mas eles não sabiam como sua união era linda.

-Há, como ele ousa? Faz o que bem entende com seus horários politicamente certos e suas regrinhas?
-Não fique enfurecida Noite, sabe a milênios que Dia sempre foi assim. Porque não aproveitamos o tempo que nos resta. Venha, venha valsar comigo.- disse Inverno pegando a mão de Noite e a levando para dançar. Dançaram todo a tempo que durou a escuridão no céu. Mas Noite em todo esse tempo não parava de pensar no seu encontro com Dia, no crepúsculo e ansiosamente esperava pela alvorada, o que nunca acontecera.

Dia mais uma vez reinava no céu, e parecia que as cores que cobria a imensidão eram cinzas. Turbulento como seu coração. Ele caminhava em passos fortes e rápidos pelo grande salão prata, de um lado para o outro impaciente. Nervoso. Quando Sol chegou.
-Porque esta assim meu senhor? O céu esta negro, quase como a noite. Ele só fica assim quando você fica triste e com raiva, ou algo parecido.
-Essa mulher vai me enlouquecer! Juro Sol, ela vai me enlouquecer!- gritava  Dia.
-Se não for muita insolência minha, esta querendo reivindicar Noite como sua?- perguntou Sol cheia de ciúmes.
-Nunca. Não posso controlá-la, ela é como o vento, inconstante e perversa. Não consigo pensar como lidar com tal personalidade.
-Não gosta mais de mim, meu senhor?- perguntou Sol.
-Não Sol, eu te amo. – disse ele, mas o próprio estava desconfiado que aquele sentimento se desvaira. E isso o desesperava, não sabia como lidar com tal sentimento. Ele não poderia se apaixonar pela Noite.

Era quase a hora do negro invadir o céu e Dia não entendia porque começou a ficar impaciente com os pequenos minutos que faltavam para o crepúsculo.  
Seus encontros eram sempre uma grande lastima, e pareciam que demoravam séculos a passar, mas intrigantemente os últimos dias seus encontros num dia eram tão rápidos que ate isso o inervava.
E mais uma vez estava lá, esperando-a. Se pegou pensando em seu rosto, em sua voz e ate mesmo nas lembranças e viu que não eram tão ruins, muito pelo contrario, eram esperadas com tal ansiedade e mesmo não entendendo os sinais estavam sempre lá. Mas seus pensamentos foram interrompidos pela cor que tingia o horizonte, um negro impetuoso e marcante, ela esta chegando- ele pensou. E seu coração disparou num compasso nunca antes com tal rápides. Foi só quando o céu começou a se misturar de cores que irradiava dele é que pode vê-la a caminhar para ele.
-Estava a te esperar.- disse Dia.
-Por favor dia, não comece!- disse Noite pensando que ele estava a iniciar uma briga.
-Não quero discórdia mais entre nos.- disse ele, ela riu de tal idéia. Eles nunca aviam se dado bem, e porque seria diferente agora.
-Ah..Por favor.- falou desacreditada.
-Estou falando cério. Quero paz entre nos.
-Dia, isso não existe. Somos o oposto, o tumulto e o solitário, o radiante e o obscuro, a esperança e o perdição, o claro e o escuro, o dia e a noite. Não existe como ficarmos em paz, conflitamos como dois rivais em uma eterna luta.
-Não, não concordo com você. Todos esses se complementa, e nos complementamos quando nos fundimos em toda alvorada e crepúsculo; ou ate mesmo quando é dia ou noite, somos um a espera do outro. A noite precisa do dia, como o solitário precisa do tumulto, o obscuro do radiante, a perdição da esperança, o escuro do claro e o Dia da Noite. Como eu preciso de você.- disse ele assustando Noite.
-O que esta dizendo? Porque esta falando tal coisa?- mas no fundo Noite sabia o que ele queria dizer. Ela reconheceu nos olhos de Dia o que seu próprio interior gritava vigorosamente em todo seu ser. Seu coração já disparava com a promessa de ouvi dos lábios dele o que ela queria ouvir.
-Seja minha Noite.- disse Dia. Ela pensara que estava num sonho porque tal coisa nunca ia sair da pessoa que era Dia. Seu amor secreto, seu oposto e ao mesmo tempo sua eterna marca, seu fardo. Esse amor nunca poderia existir, eles não existiam enquanto o outro reinava.  
-Mesmo se quisesse Dia, você e eu não poderíamos. É impossível. – e a sua ultima frase a fez fechar os olhos com tal intensidade. Ele a abraçou por trás e pela primeira vez ela sentiu seu toque e surpreendente como aquilo parecia familiar e aconchegante.
-Todo alvorada e crepúsculo poderíamos nos encontrar, poderia ser minha por todo o inicio do dia e por todo novamente no final dele. –sussurrava ele no seu ouvido a fazendo se arrepiar, com seus braços em sua volta.
-Não!
-Não?- Dia perguntou incrédulo.
-Sim, não! Não é aceitável, você e eu? Nunca daria certo.
-Poderíamos descobrir.
-Não estou disposta a isso, é demais para mim. E ainda tem Sol, uma de suas milhares amantes. Não estou disposta a ser mais uma de sua lista.
-Não, será. Vai ser a única, você é a única. Nunca senti o que sinto por você por ninguém.
-Mesmo assim. Ainda tem Inverno, ele me ama.- disse Noite.
-Mas que droga, Noite. Sei que você não o ama!- gritou Dia.
-Não pode saber.
-Mas eu sei.
-Não discutirei mais com você, adeus Dia.
-Essa conversa não terminou.
Ela o ignorou e o deu as costas fazendo suas cores cobrir todo o céu. E ele mas uma vez a contemplou.

Ele esta louco? Nunca ia dar certo sermos amantes. Ele é eu somos como fios desencapados, uma combinação mortal. Mas droga, eu realmente preciso esta naqueles braços de novo. Inverno nunca a avia feito se sentir assim.
Todos os crepúsculos e as alvoradas que se encontravam os dois se sentiam cada vez mais fatigados e desesperados, mas nada como a promessa de uma nova manhã ou o inicio de uma bela noite. E isso que os sustentavam.
Sol, amante de Dia irritava-se com seu senhor, tão diferente e refém de tal sentimento, nunca vira ele assim. E o mesmo via Inverno, apaixonado por sua bela Noite, tal carência e solidão se apossavam cada dia da mulher de vestes negras que amava. Mas ela parecia não amar nada nela, alem de seu carinho por ela. Estava preocupado com sua senhora, pois nunca fora tão distraída. Quem poderia fazer isso com minha amada- pensou Inverno.
Estava prestes a amanhecer e Noite ficava a olhar as estrelas pela sua janela. Ela realmente esperava ter uma luz, uma confirmação. Mas nada. Seu peito ia obrigando seu peito cicatrizar. Ela nunca seria dele, como ele nunca seria dela. –pensava triste. Ate que... de longe ela viu uma luz muito forte invadir o horizonte e apavorada por ainda não ser a hora da alvorada começou a correr em direção aquele clarão avia algum problema. Foi quando viu Dia a caminhar de longe em direção ao seu castelo. O que dia estava pensando?- pensou irritada enquanto seus pés descalços pisavam no mármore frio e negro de seu castelo. Ele não poderia entrar ali, seria o fim. Aquele era o lar da escuridão, a luz não poderia entrar ali. Descia as escadas como se tivesse a lutar pela sua própria vida, ele ia morrer. – ela gritava em seu interior. A seda de seu vestido negro rastejava pelo mármore, mas não ia dar tempo! Ele...Ele...
O clarão de luz entrou pelas frestas das janelas- fazendo-a se arrepiar. Ele estava muito perto! E com um barulho ensurdecedor a porta do castelo foi aberta com força. Fazendo a figura do próprio Dia aparecer em sua frente. Ele entrou em seu solitário lar. Com medo e incerto do que deveria fazer. Mas quando ele a olhou e sorriu para ela seu coração disparou. Também sorriu para ele e ele começou a andar em sua direção, fazendo o espaço escuro clarear com sua aura tão esplendida e dourada. Tudo nela era preto e branco, mas ficava feliz por ter uma luz em sua vida.
-Desculpe.- disse Dia. –Mas eu não podia esperar.
Noite riu com tal paixão na voz dele.
-Eu não agüento mais Noite, preciso que seja minha.
-E como vamos fazer com os turnos, você é o outro lado e eu o oposto. Como podemos nos amar se nunca estaremos juntos.
-Você sabe que não é verdade. Você não e o oposto e sim meu complemento. Eu lutei para entender a mim mesmo, meus sentimentos, mas só eu não entendia que precisava de algo. Preciso de você.
-Também preciso de você Dia.- sussurrou ela.
-Então seja minha.
-Mas...
-Todo crepúsculo e toda alvorada será só nossa, sei que esperarei todo tempo o final do dia como o final da noite para nos encontrarmos, mas e daí, eu posso viver com isso, ser amante eternamente da Noite.
-Temos um problema, Dia. Acho que não sei dividir. Se me escolher só vai ser eu. Você será meu.- ele riu por tão possessiva palavras de sua amada.
-Eu também não sei dividir, será só minha e de mais ninguém.
-Então feito. – disse Noite, estendendo a mão para selarem um acordo. E com isso Dia colocou sua mão na dela e em vez de apertá-la puxou-a para os seus braços a dando um voraz beijo.
Quando ele deixou seus lábios ela o olhou quase sem fôlego e sorriu para aqueles olhos provocadores.
-Quer me matar?

-Se for desse modo quero morrer junto de você afogado nos nossos beijos.- eles riram e desde então todo final de noite e final de dia o céu de funde em cores inexplicáveis de tão tentadoras. Os amantes Dia e Noite tão ansiosos para seus dois encontros a cada dia as vezes os dois adiantam um pouco seu relógio, mas devemos os perdoá-los. Afinal quem não quer o felizes para sempre. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Sobre a luz da lua

   

Era o fim do dia, o sol se colocava entre as nuvens e adormecia com a proposta de uma nova noite e o fim do dia. Lembrava das cores do horizonte naquele dia como todos os outros, pois para ele não era novidade esta em cima da arvore vendo o crepúsculo. Ele amava esse pedaço do dia, parecia a junção do bem e do mal, engraçado eu imaginar tal coisa-pensou Thomas. O garoto de cabelo negros que caia por seus ombros num cascata cintilantes como as penas de um corvo, de olhos mel da cor de um Whisky; a bebida maldita que seu pai adorava, sua pele pálida e branca, por passar o dia mais trancado e escondido, fugindo do sol. Mas a noite ele fazia questão de vê-la com toda sua magnitude. Suas feições eram muito parecida com a de seu pai, com um nariz aristocratístico e sobrancelhas bem grossa. Também não tinha como saber se parecia com sua mãe, porque na verdade nunca a vira. Tinha uma aparência intimidadora, um traço herdado de sua mãe, ele imaginava, afinal seu pai não era nem um pouco intimidante. Os pássaros voavam para seu refugio e podia se ouvir seus barulhos, o bater das asas e seu canto. Ele amava tudo aquilo, umas das poucas coisas que apreciava na sua vida. "Um menino de apenas quinze anos e já tão problemático!"dizia seu pai bêbedo. Mas Thomas não via motivo para ser menos, sua vida não valia nada. Ate a escola ele não fazia por conta de seu pai não se importa. Da ultima vez que fora expulso seu pai nem mesmo arregalou o olhos quando recebeu a noticia, ele apenas disse que era uma de muitas. E realmente era, mas das outras vezes seu pai pelo menos se alterava com ele, mas agora a bebida era tanta que o deixava prostrado e entregue as moscas, como sua casa podre e fedida, aquilo era pior do que a rua. Por isso ele só vivia ali, na rua. Suspirou, expirando o ar fresco da noite, algo familiar a ele. Sim noite era tão próxima a ele como um irmão, como uma metade que o completasse, como uma mãe querida que abraça para não sentir medo, a noite era isso para Thomas.